Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Segunda, 04 Fevereiro 2019 17:45
DIREITOS HUMANOS

Equipe multidisciplinar presta atendimento a mulheres em situação de violência

Profissionais do Centro Especializado de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Ceam) acolhem diariamente mulheres vítimas de violência e realizam acompanhamento contínuo gratuito

Ceam atende de uma a duas mulheres vítimas de violência doméstica por dia Ceam atende de uma a duas mulheres vítimas de violência doméstica por dia Bruno Levy
Texto de Bruno Levy

A violência doméstica é um dos principais causadores de feminicídios no país. Quando a vítima sobrevive, ela passa por momentos muito difíceis devido aos traumas sofridos dentro de casa, lugar onde deveria se sentir segura. O Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Ceam), da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), possui uma equipe multidisciplinar pronta para atender essas vítimas de forma gratuita.

Inaugurado em 2013, em Maceió, o espaço foi criado para tornar as mulheres protagonistas dos seus direitos. Para isso, a equipe é formada por diversos profissionais, a exemplo de assistente social, psicóloga, coordenador de atendimento e advogada que fazem o suporte e os encaminhamentos que elas precisam.

“A mulher que sofre violência tem o apoio inicial necessário para que possa ser amparada pela lei. Muitas vezes, ela primeiro procura o Ceam para buscar todo o esclarecimento e se fortalecer, e, só depois, denunciar as agressões”, disse a superintendente de Políticas para a Mulher da Semudh, Dilma Pinheiro.

O atendimento ocorre de forma espontânea ou por demandas de parceiros como a Delegacia da Mulher e o 4º Juizado. Segundo o coordenador de Atendimento do Ceam, Diogo Conceição, o acolhimento é realizado no momento em que o Centro é procurado. “Primeiro é feita a triagem para entender como aconteceu a violência, quando foi, e se ainda acontece. A partir deste depoimento e da visão específica de cada profissional da equipe, montamos um plano de ação para saber de que forma devemos intervir naquela situação de violência”, explica Diogo.

Em situações em que ainda não houve a denúncia de agressão, a vítima é encaminhada para a Delegacia da Mulher, enquanto a advogada leva o caso ao 4º Juizado a fim de deferir a medida protetiva. Em seguida, a psicóloga e a assistente social realizam o atendimento diferenciado com o objetivo de ajudar no resgate da autoestima da mulher e buscar uma forma de ajudá-la a promover a independência financeira por meio de cursos de artesanato, bijuteria, etc.

“A assistência social viabiliza estes serviços e políticas públicas específicas para as mulheres que sofrem violência doméstica, a exemplo do Programa Mulheres Mil, Mulheres Empreendedoras, entre outros”, concluiu o coordenador.

A violência doméstica atinge as mulheres de qualquer classe social e escolaridade. Segundo dados do Ceam, de julho a dezembro de 2018, a faixa etária das vítimas variava de 18 a 73 anos, e a maioria dos casos envolveu pessoas com baixa escolaridade. Porém, logo depois, aparecem as mulheres com grau superior.

Os dados ainda mostram que os principais tipos de violência acometidos são: violência física (com mais de 50% dos casos registrados), seguida da moral, sexual, psicológica e patrimonial. A maioria das denúncias ocorre em locais da parte alta da capital. Rio Novo e Benedito Bentes são os bairros que lideram o número de casos. A Ponta Verde, bairro nobre de Maceió, aparece entre os quatro primeiros colocados, logo depois da Ponta Grossa.

Atendimento psicológico

Uma das principais dificuldades em casos que envolvem a violência contra a mulher é a de recuperar a autoestima da vítima. É uma responsabilidade e tanto para a psicóloga Cláudia Regina minimizar o trauma com um atendimento mais humanizado. “Muitas vezes elas chegam com dificuldade de falar sobre o assunto, pois boa parte já sofreu vários episódios de violência doméstica. Porém, quando a mulher encontra a nossa equipe e se sente acolhida, começa a ter mais confiança e se sentir à vontade para desabafar sobre o sofrimento”, falou a psicóloga.

O serviço realizado pela equipe multidisciplinar é continuado, por meio do qual a vítima pode contar com o atendimento psicológico gratuito por vários meses e dispor de diversos apoios sociais. Um destes apoios envolve o aluguel social, que serve para proteger a mulher que está sob medida protetiva em uma residência temporária.

“O nosso diferencial é realmente atender essas pessoas e acompanhá-las diariamente até conseguirem seguir em frente com uma nova vida”, explicou a assistente social, Juliana Costa.

Independência

Tudo isso fez parte da vida de Rafaela (nome fictício para proteger a identidade da vítima), que, após inúmeras discussões com o ex-companheiro, chegou a sofrer agressões físicas. “Após tomar as medidas necessárias, fui encaminhada ao Ceam, onde me senti acolhida pela equipe. Eles se prontificaram a me ajudar de todas as formas. Fizemos o exame de corpo de delito, retirei minhas coisas de casa e passei por todo o processo no Juizado. Tudo ocorreu conforme estava precisando naquele momento”, contou.

Rafaela, que atualmente mora com a filha e trabalha de forma autônoma, venceu todas as barreiras e conquistou a independência financeira para viver bem.

“Como mulher e como mãe, eu me sinto realizada. Hoje tenho a capacidade de dar segurança e exemplo à minha filha e também de não agir de forma errada em nenhuma situação”, enfatizou Rafaela que, na época, cursou bijuteria pelo Programa Mulheres Mil.

Patrulha da Maria da Penha

Para facilitar o fluxo de atendimento, a Patrulha Maria da Penha, que tem funcionamento na sede do Ceam, evita que essas mulheres tenham que se deslocar de um órgão para o outro em busca de seus direitos.

O programa garante o acompanhamento e atendimento mais humanizado, possibilitando também que elas denunciem o agressor com mais segurança. A fiscalização do cumprimento das medidas protetivas de urgência, por parte do agressor, é outra atribuição da guarnição.

Parcerias

Para melhorar o acesso aos casos de violência, o Ceam fez parcerias com lideranças comunitárias para que associações e unidades comunitárias encaminhem demandas diretas para a rede de atendimento à mulher.

“Alguns casos fogem da competência do Centro, porém não deixamos de atender essas vítimas. Realizamos todos os encaminhamentos pela Semudh e eles, querendo ou não, dão um amparo maior às mulheres quando chegarem nestes outros órgãos”, disse a advogada do Ceam, Mariana Amorim.

O resultado desse trabalho integrado é que não houve nenhum caso envolvendo feminicídio no pós-atendimento da equipe multidisciplinar. Atualmente, vinte mulheres são atendidas diariamente de forma continuada e, por dia, uma a duas comparecem ao órgão para realizar a denúncia.

Denunciar é fundamental

Em casos de denúncia de violência contra a mulher, o Ceam fica localizado na Rua Augusto Cardoso Ribeiro, s/n, Jatiúca, (transversal à Rua Dr. Antônio Gomes de Barros – antiga Av. Amélia Rosa). O contato pode ser realizado por telefone (82) 3315-1740.

A denúncia também pode ser realizada de forma anônima pelo Disque 180, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, pelo Disque-Denúncia 100 ou ligando para o 190 da Polícia Militar.